Santos x Fluminense: o duelo de adoração à posse de bola entre Jorge Sampaoli e Fernando Diniz

Amor pelo domínio da bola. Grosso modo, essa frase resume um estilo de jogo ainda raramente praticado no Brasil. Os treinadores que se atrevem a mostrar o quanto gostam da pelota chamam a atenção até de outras torcidas.

É o caso de Jorge Sampaoli e Fernando Diniz, treinadores de Santos e Fluminense, respectivamente. As equipes se enfrentam nesta quinta, pela 2ª rodada do Brasileirão, em duelo cercado de expectativa pela predominância de posse sobre o adversário, marca registrada de ambos. Quem ficará mais com a bola? De que forma os estilos parecidos se encaixarão na Vila Belmiro?

Para Leonardo Miranda, autor do blog Painel Tático, o Santos vai apostar na pressão na saída de bola do Flu, que muitas vezes é lenta.

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– Quando o Rodolfo tem a bola, geralmente corre riscos, e Sampaoli certamente quer aproveitar esses momentos. Aliás, quem imagina o Santos como um time só de posse, vem se surpreendendo com jogos como aqueles contra RB Brasil e Grêmio. É uma equipe bem diversificada. O Flu não vai abdicar de sair, de ter a bola, mas precisa ser rápido para chegar na área do Santos.

Pressão após a perda da bola do Santos — Foto: Leonardo Miranda

Pressão após a perda da bola do Santos — Foto: Leonardo Miranda

Para pressionar o Tricolor, porém, Sampaoli não terá à disposição um dos seus homens prediletos para a função: Derlis González. O paraguaio foi expulso contra o Grêmio, na 1ª rodada. Em um encontro da CBF entre Tite, Sampaoli e Diniz, na semana passada, o técnico argentino exaltou o atleta suspenso por seu empenho em marcar a saída rival. Sem Derlis, caberá a Rodrygo ou Eduardo Sasha o serviço considerado fundamental pelo treinador.

– Quando o adversário tem o jogo baseado na posse no jogo de ataque é muito importante que a gente recupere a bola para jogar. A ideia é recuperar para contra-atacar.

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O Tricolor, por característica, gosta de ter o domínio da bola. Em apenas uma partida na temporada teve menos posse: contra o Flamengo, pela semifinal do Carioca (47,5% no empate por 1 a 1). A posse de bola foi predominante em 95,8% dos jogos do time em 2019.

Fernando Diniz Santa Cruz x Fluminense Copa do Brasil — Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press

Fernando Diniz Santa Cruz x Fluminense Copa do Brasil — Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press

O problema, entretanto, é que o Peixe tem o mesmo apreço pela posse. Em suas 25 partidas, os comandados de Sampaoli tiveram menos a bola em apenas duas e ainda assim venceram – Grêmio 1 x 2 Santos, no último domingo, pelo Brasileiro; e Santos 2 x 0 RB Brasil, no Paulistão. Ou seja, a posse foi superior em 92% dos jogos.

Neste ano, o Flu tem média de 64,6% de posse sobre seus adversários enquanto o Peixe sustenta 59,6%. O técnico Fernando Diniz avaliou o que vê de similar entre as equipes.

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– A semelhança mais aparente é o apreço por cuidar da bola, a intensidade no meio-campo e a intensidade de jogo. Mas, apesar das semelhanças, devemos ter muitas diferenças também.

Para Leonardo Miranda, as equipes têm estilos filosoficamente parecidos, mas bem distintos na prática.

– Diniz imprime nos times dele um jogo muito pautado pela proximidade dos jogadores na região da bola. Laterais, volantes, meias, ninguém tem posição fixa, todos devem se movimentar para perto da jogada, se aproximar e ir tocando, como numa roda de bobinho. É um estilo bem paciente. O time normalmente atua no 3-4-3 ou 4-3-3. É um time mais fluido, que ataca mais por dentro. Já Sampaoli tem estilo mais direto de jogo. O time varia entre o 5-3-2, como no jogo contra o Grêmio, e o 4-1-4-1 do Paulista. Taticamente há um posicionamento bem rígido: o volante afunda entre os zagueiros, os laterais avançam, e os meias ficam mais por dentro. Com a bola, fica quase um 3-2-5, sempre verticalizando as jogadas e buscando triangulações pelos lados para a área.

Por conta da constante aproximação dos atletas, o Fluminense é um time que troca muitos passes nas partidas. Na temporada, o Tricolor tem 12.343 passes certos – média de 514 por jogo, considerada alta. Três jogadores são responsáveis pelo bom desempenho no fundamento: Airton, Allan e Caio Henrique. Todos ficaram entre os dez atletas com mais passes certos na primeira rodada do Brasileirão, além de estarem também entre os dez melhores passadores da Copa do Brasil.

Caio Henrique é um dos atletas que mais participam do jogo de passes do Fluminense — Foto: Lucas Merçon

Caio Henrique é um dos atletas que mais participam do jogo de passes do Fluminense — Foto: Lucas Merçon

O Flu, como mostra o gráfico abaixo, tem mais de 1.800 passes a mais que o Santos, mesmo com um jogo a menos. É neste momento que as diferenças começam a surgir. Os cariocas retêm mais a bola e, também por isso, correm menos riscos. O Santos busca passes mais verticais e agride com mais gente quando chega ao ataque, o que por vezes deixa a zaga exposta. As goleadas sofridas no Paulistão para Botafogo-SP (4 a 0) e Ituano (5 a 1) foram aprendizados valorosos para o tarimbado treinador argentino, há pouco tempo no novo país.Total de passes de Santos e Fluminense em 2019Troca de passes nas quatro competições de Santos (25 jogos) e Fluminense (24 jogos) na temporada11.35311.35310.36410.36498998913.18613.18612.34312.343843843Santos – Total passesSantos – Passes certosSantos – Passes erradosFluminense – Total passesFluminense – Passes certosFluminense – Passes errados05k10k15kFonte: Footstats

Além dos passes, Miranda aponta outra diferença entre os dois: o estudo de jogo dos técnicos. O especialista em tática considera que Sampaoli prefere se moldar mais ao adversário que Diniz.

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– Muitas vezes, mudanças de esquema ou de jogadores, para o Sampaoli, têm a ver com uma fraqueza do adversário. É uma filosofia de jogo que sempre pensa dia após dia, jogo após jogo… Diniz não, ele acredita que o time deve sempre jogar do mesmo modo e fazer aquele tipo de jogo valer. É o que podemos chamar de imposição. Isso inclusive gera algumas críticas por uma suposta falta de flexibilidade quando há adversários melhores, por exemplo.

Sampaoli tem uma maneira particular de enxergar as partidas. Ele divide o campo em três zonas: de alerta, de conforto e de definição (veja foto abaixo). Tanto Diniz quanto o argentino prezam pelo passe nessa primeira parte do campo, com o goleiro sendo o primeiro jogador de ataque. Ambos são contra o chutão.

Palestra de Jorge Sampaoli na CBF — Foto: Alexandre Lozetti

Palestra de Jorge Sampaoli na CBF — Foto: Alexandre Lozetti

– Eu luto para que isso (o chutão) não aconteça. Na minha opinião, o jogo tem a ver com “eliminar” o adversário, seja com o passe, com o drible. Então, na saída, a gente sempre propõe nessa zona de alerta, que tenhamos muitos jogadores para termos uma superioridade numérica. Para conseguir a superioridade numérica, a gente não avança de zona sem eliminar o adversário. Não serve a construção da jogada desde o início se a gente não eliminar o adversário – explica o técnico santista.

Por exemplo, se dois adversários pressionam a saída de bola, a proposta de Sampaoli é ter pelo menos três jogadores de linha (além do goleiro) na zona de alerta até passar pelos adversários e poder avançar para a zona de conforto. Para ele, nessa área é preciso ter paciência até achar um espaço para avançar.

Jorge Sampaoli, técnico do Santos — Foto: Diego Vara/BP Filmes

Jorge Sampaoli, técnico do Santos — Foto: Diego Vara/BP Filmes

– Acelerar na zona de conforto é perder a bola. Se a gente acelerar, não vai ter um ataque sustentado e vai gerar um contra-ataque. Na zona de definição podemos acelerar, ter um contra um. Lá, sim, a gente tem muita busca pelo ataque – explica o argentino.

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O comandante santista preza pela paciência até chegar ao gol – assim como Fernando Diniz. Talvez por isso, Santos e Fluminense não estejam entre os ataques mais letais da temporada. O primeiro marcou 43 gols (média de 1,72) e o segundo fez 40 gols (média de 1,66). Quando comparadas as médias de gols no ano entre os times da Série A, o Peixe tem a 10ª melhor média enquanto o Tricolor tem a 11ª.

Veja os números de cada time:

Fluminense
24 jogos: 12 vitórias, 6 empates, 6 derrotas – 58,33% de aproveitamento
40 gols marcados (1,66)
17 gols sofridos (0,70)

Santos
25 jogos: 14 vitórias, 5 empates, 6 derrotas – 62,66% de aproveitamento
43 gols marcados (1,72)
21 gols sofridos (0,84)

Santos e Fluminense, apesar de elogiados e vigiados pela crítica, ainda precisam comprovar a efetividade dos modelos de jogo na temporada. Títulos e boas campanhas no Brasileirão vêm bem a calhar, mas uma boa exibição nesta quinta-feira já seria um passo interessante.

FONTE – G1

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