Profissão: mãe de árbitro

A mãe mais maltratada de todas, com certeza, é a mãe do árbitro. A torcida não perdoa. Na hora de xingar o filho dela, acaba sobrando também para a pobre coitada: E é covardia, pois ela não pode nem se defender. Ouve em silêncio e torce sozinha para aquela pessoa que está com o apito na boca ou com a bandeira na mão.

Ser mãe de árbitro não é nada fácil. Minha mãe, Vera Lucia, que o diga.

Ela é apaixonada por futebol. Assiste pela TV e vai ao estádio até para acompanhar jogo sub-15. Quando decidi virar árbitra ela super apoiou. Mal sabia o que vinha pela frente.

Eu morava em outra cidade e só poderia visitá-la nos finais de semana, justamente quando os jogos acontecem. Ou seja, eu quase nunca ia para casa. Datas comemorativas, como o Dia das Mães? Nem pensar. Tinha de trabalhar. Deixava de ver minha minha mãe para ouvir a torcida xingando ela. Triste realidade.

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No começo da arbitragem, os jogos são amadores. Mal tem torcida. Transmissão de TV então, nem pensar. Ela era xingada, mas nem precisava saber. Quando comecei a trabalhar em partidas maiores, televisionadas, aí sim deu para ouvir a voz do torcedor. E mais do que isso, ver o trabalho da filha exposto para o país inteiro. Quando as coisas vão bem, ótimo. Mas quando acontece um erro, é o inferno para uma mãe. Ela sofreu junto, ficou com raiva junto e, como toda boa mãe, me deu colo.

O engraçado é que, por ela acompanhar futebol, passou a torcer também pela arbitragem. E fica solidária com os outros profissionais e as mães deles. Afinal, ela sabe bem o que é passar por isso.

Uma vez ela sentou no meio dos torcedores para ver um jogo meu. Claro, a torcida não se conteve. Assim que começaram a me xingar, ela chamava torcedor por torcedor e falava: “Sabia que ela é minha filha? Não fala assim com ela!” Eles ficavam envergonhados e paravam com as ofensas. Imagina, arrumar briga com centenas de torcedores? Só sendo mãe mesmo, uma leoa.

Ser mãe de árbitro é ser especialista em oração. Mas bota oração nisso! Se o torcedor já fica nervoso, imagina a mãe do árbitro? Ela deve chamar todos os santos possíveis e até aqueles que nem existem, como a Nossa Senhora do Acerto, o São Miguel do Impedimento e a Santa Marca da Cal. Além da reza, minha mãe me deu dois presentes que sempre carregava comigo nas partidas: um santinho de Nossa Senhora do Caravaggio e um amuleto feito por ela, uma boneca Abayome. Essa é aquela boneca africana feita apenas com nós, e em cada nó você deseja algo bom para a pessoa.

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Quando decidi parar com a arbitragem, minha mãe ficou preocupada se era mesmo essa decisão que eu queria tomar. Ao mesmo tempo senti que ela ficou aliviada. Tirou todo aquele peso das costas. Agora é mãe de uma ex-árbitra, com ex-xingamentos. Só tenho de agradecer a essa mãezona que eu tenho e amo tanto. Feliz Dia das Mães para todas vocês! Em especial, para as mães dos árbitros, que sempre são lembradas, mas nunca da maneira como deveriam!

FONTE- METROPOLIS

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