Manifestantes protestam na Paulista contra bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo MEC

Manifestantes protestam na Avenida Paulista na tarde desta quarta-feira (15) contra o bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). O ato se concentra em frente ao vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e os dois sentidos da via foram interditados por volta das 14h.

Estudantes, crianças, idosos e sindicatos relacionados à educação participam do ato. Vários cartazes fazem referência à fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub sobre “balbúrdia” em universidades. Uma das faixas diz que a “balbúrdia é contra dinheiro da educação”. De forma reservada, auxiliares próximos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) avaliam que o discurso mais incisivo de Weintraub acabou dando gás às manifestações desta quarta.

Alunos da Universidade de São Paulo, que realizaram protesto pela manhã na Cidade Universitária, Zona Oeste da capital, saíram em caminhada até a Avenida Paulista. Cerca de 2 mil estudantes, segundo a organização, vão subir a Avenida Rebouças rumo à Paulista.

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A professora de filosofia da USP Tessa Moura Lacerda, 44 anos, diz que está muito feliz com o ato. “spero que essa resistência nacional mostre a forca da educação nesse país”.

Mais cedo, estudantes de universidades e colégios públicos e particulares fizeram atos em diferentes pontos da capital. O portão da Cidade Universitária ficou bloqueado entre 6h e 9h e as avenidas Higienópolis e Angélica foram fechadas por estudantes de escolas particulares do bairro.

Entidades ligadas a movimentos estudantis, sociais e a partidos políticos e sindicatos convocaram a população para uma greve de um dia contra as medidas anunciadas pelo governo federal na educação. Alunos e professores em outras cidades do país também aderiram à paralisação.

Protesto lota Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Protesto lota Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Criança participa de protesto na Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Criança participa de protesto na Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Manifestantes lotam vão do Masp para protesto — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Manifestantes lotam vão do Masp para protesto — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Protesto na Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Protesto na Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Faixa no protesto da Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Faixa no protesto da Avenida Paulista — Foto: Gabriela Gonçalves/G1

Manifestantes se reúnem no vão do Masp — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Bloqueio de verba

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de 30% na verba. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

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Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não deverão ser afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

FONTE- G1

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